Com 102 anos, o português Manoel de Oliveira é, provavelmente, o mais velho cineasta do mundo ainda na ativa. E produzindo filmes interessantes, como é o caso em questão.
Neste filme, Oliveira realiza, quatro décadas depois, o reencontro dos personagens Henri Husson e Séverine Serizy do filme “La Belle de Jour” de Buñuel. Esse encontro se dá por acaso, o que faz Husson perseguir Séverine (agora interpretada por Bulle Ogier) para reviver os acontecimentos do passado, coisa que ela parece evitar. Esta sequência não acrescenta nenhum dado novo à história original de 1967, mas evoca uma discussão sobre o que fazer com as memórias, revivê-las ou esquecê-las, o que deve ser um tema bastante próximo para quem viveu um século.
O destaque vai para a cena do jantar dos dois protagonistas, que começa com um silêncio constrangedor e culmina numa bela sequência na penumbra, com Paris ao fundo, iluminada por velas quase se apagando.
O homem pode ser velho, mais ainda tem muito talento.