Este é um dos filmes mais tristes que existe. Não raro se ouve relatos de pessoas que ficaram melancólicas por dias depois de vê-lo. Naturalmente que um filme tão triste só poderia ser sobre mulheres. “A vida toda de uma mulher num único dia. Só um dia. E nesse dia sua vida toda”. No caso são três mulheres. Três mulheres separadas no tempo e no espaço, mas igualmente oprimidas por coisas que, aparentemente, são triviais, como fazer um bolo, decidir o cardápio do almoço ou organizar uma festa. A sensibilidade do romance de Michael Cunningham vencedor do Pulitzer, adaptado por David Hare, está em suspender o véu do prosaico e procurar o que existe de universal no drama dessas mulheres. Por isso nos identificamos tanto.
A excelente trilha sonora de Philip Glass funciona como um fio de ligação entre as histórias independentes e a direção sensível de Daldry cria um padrão visual ainda mais envolvente.
Tudo isso é coroado com uma das melhores reuniões de elenco dos últimos tempos. Não existe atuação ruim, nem a do garoto Jack Rovello. Os papéis dos coadjuvantes são ótimos, e as atuações idem de Stephen Dillane, John C. Reilly, Toni Collette, Allison Janney, Claire Danes, Jeff Daniels e Ed Harris. Cada cena em que eles aparecem e contracenam com as protagonistas é um deleite.
E, acima de tudo, somos privilegiados com as brilhantes atuações de Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep. Impossível dizer quem está melhor. Elas conseguem dar o tom exato do drama existencial das três mulheres tocadas pelo romance de Mrs. Dalloway.
Enfim, esse é filme tocante, emocionante e que fica gravado na memória como uma das grandes experiências que se pode através de uma tela.



