quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ONDE ESTÁ A FELICIDADE? (Carlos Alberto Riccelli, 2011)


Os últimos filmes comerciais brasileiros aos quais me expus me deixaram com a sensação que nossos cineastas insistem em reproduzir fórmulas que já foram exploradas à exaustão no cinema americano. Este inova e decide usar a linguagem do cinema espanhol. Impossível não lembrar de Almodóvar nas cores, nos figurinos, nas mulheres à beira de um ataque de nervos e nas belas imagens da Galícia. Claro que o roteiro de Bruna Lombardi e a direção de Riccelli nem se aproximam do mestre, mas o lindo casal faz um pastiche muito gostoso de se assistir.

É uma trama leve com um ritmo muito sagaz, interpretações inspiradas e personagens legais. O final destoa um pouquinho do restante da trama, mas nada que comprometa o aspecto geral da diversão. Interessante notar em como a roteirista, notória amante dos animais, insere boas passagens com os bichos. Muito bom ver um filme nacional tão despretensioso e feliz em seu propósito, que é divertir.

Ganhou o posto de melhor filme brasileiro do ano. Até agora.

 


terça-feira, 30 de agosto de 2011

PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM (Rupert Wyatt, 2011)


Alguns filmes de entretenimento – os bons – conseguem embutir entre cenas de ação e personagens carismáticos alguns temas e ideias bacanas, eu diria até profundos. Este aqui apresenta o arquétipo de deus, o conflito entre criador e criatura, quando seres dotados de inteligência e poder de decisão fogem do controle e ameaçam escrever seu próprio destino. Por isso eu achei a o cientista interpretado por James Franco ingênuo e raso demais. O cara desenvolve macacos super sabidos apenas pra tentar curar a caduquice do pai.

Mas o destaque desse filme são os símios. A interpretação de Andy Serkis é muito boa, graças ao avanço da tecnologia que permite colocar as emoções do ator na figura virtual. Aliás, a parceria de Serkis com a empresa de animação WETA é bastante profícua e já rendeu frutos como o Gollum de Senhor dos Anéis e o protagonista de King Kong
 
Uma coisa é interessante notar. Assim como na seqüência da abertura de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, o avanço da inteligência vem junto com a adoção da violência como forma de se expressar. Os macacos, uma vez espertos e despertos ficam todos com a macaca pra se vingarem tanto de seus criadores como dos humanos que os tratavam como inferiores. É tipo um mito do bom selvagem, só que do contrário. Não deixa de ser uma forma de descrever o que nos torna o homo sapiens.

 


PACTO DE SANGUE (Billy Wilder, 1944)


De longe, a vida de um corretor de seguros não aparenta ser muito movimentada e emocionante. Mas a história de James M. Cain, adaptada por Raymond Chandler e levada às telas pelo genial Billy Wilder mostra justamente o contrário. E com tanto nome importante envolvido é chance zero de ser um filme ruim. Nesse caso, foi feito um dos grandes filme noir da história, praticamente um codex do gênero. Estão lá presentes uma bela fotografia em preto-e-branco, uma trilha sonora de suspense, uma loura gelada e um crime.

 


sábado, 27 de agosto de 2011

AMOR A TODA PROVA (Glenn Ficarra e John Requa, 2011)


Comédias românticas não são meu estilo favorito de filmes. E pelo trailer desta eu achei o personagem do Steve Carell meio parecido com O Virgem de 40 anos, de forma que fui guiado apenas pela minha devoção à Julianne Moore, que me faria assistir qualquer filme em que ela aparecesse, e também pela participação da Marisa Tomei. De quebra, ainda podia conferir essas duas novas caras de Roliúde, Emma Stone e Ryan Gosling – neste caso mais corpo que cara. Mas, talvez pelo fato de não ter nenhuma expectativa, fui brindado com um filme muito bom.

Além dos bons atores, o roteiro é agil mistura bem as partes engraçadas com as mais sérias. Uma diferença deste para as demais comédias românticas é que esta tem uma história mais madura sobre os relacionamentos. O personagem do garoto é o grande destaque. A cena de abertura é muito interessante, mostrando pelos gestos que o casal não está bem, belo trabalho da dupla de diretores, que é responsável também pelo Golpista do Ano.

Um bom e despretensioso filme, ideal pra assistir com o cônjuge num shopping a tarde.

 


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O SÉTIMO SELO (Ingmar Bergman, 1957)


Esse filme é marcante por mostrar de forma muito direta grandes e eternos dilemas da existência, como o sentido da vida e da morte e a presença/ausência de deus/diabo. Por se passar na Idade Média, essas questões se tornam mais urgentes, pela iminência do Juízo Final. É nesse cenário apocalíptico que um cruzado regresso propõe à Morte uma partida de xadrez, pois quer quitar essas dúvidas antes de seu tempo na Terra se esgotar. É muito legal perceber o contraste entre as angústias do Cavaleiro com a resignação perante ao vazio e o pragmatismo do escudeiro, parecido com  o que existe entre Quixote e Sancho.

A fotografia em branco-e-preto é ótima, assim como a trilha sonora. Bergman produz imagens belíssimas como a inicial, a final e a da queima da bruxa, além de todo o impacto das cenas que contém a presença da Morte. A sequência da procissão dos empesteados é impressionante.

 


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

PROFESSORA SEM CLASSE (Jake Kasdan, 2011)


Quando uma comédia é ruim, eu geralmente fico constrangido. E esse filme foi bem constrangedor. As poucas piadas boas cabem no trailer, e o restante da história é muito mal conduzido. As crianças, que poderiam ter um maior destaque como em Escola de Rock, são muito mal aproveitadas. Um sinal de alerta já que os roteiristas Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg foram anunciados para escrever Ghostbusters III. Vamos por as barbas de molho.

Nem o carisma de Cameron Diaz e Justin Timberlake salvam o filme do desastre. Mas a pior é a personagem de Lucy Punch, que me deu vontade de me esconder debaixo da cadeira. Jason Segel não chega a ser um destaque mas pelo menos não ajuda a enterrar a bagaça. Espero que ele não estrague o aguardado filme dos Muppets.

Esperava mais desse filme e acabei me decepcionando.

 


domingo, 21 de agosto de 2011

O HOMEM ELEFANTE (David Lynch, 1980)  

 

Um desses casos em que a vida é mais bizarra e triste que a ficção, e cabe ao cinema apenas retratá-la. Baseada na história real de Joseph Merrick cuja terrível deformidade física mobilizou a sociedade londrina da Era Vitoriana, o filme disputou oito Oscars em 1981 incluindo Filme, Diretor, Ator e Roteiro Adaptado. O filme destoa das narrativas “esquisitinhas” de Lynch como Cidade dos Sonhos ou Veludo Azul. Nesse caso o absurdo fica por conta da própria história.

A escolha em fazer o filme em preto-e-branco torna o filme meio que perdido no tempo, criando um clima que foge da recriação de uma biografia, como se insistisse no inusitado dos fatos narrados. Como se fosse mais ficção que realidade.

Impossível não deixar de destacar o trabalho de John Hurt, que com muita sensibilidade de baixo da maquiagem, cria um personagem delicado e sofrido, com um grande apelo emocional de que não se pode escapar .

CIDADÃO KANE (Orson Welles, 1941) 


Aquele que é conhecido como o Oh-Clássico-dos-Clássicos, o Filme mais importante e revolucionário da história de Roliuúde. Muito desse prestígio se deve ao impacto do ineditismo da narrativa e das técnicas empregadas. Por isso, muitos dos contemporâneos têm dificuldade de enxergar tanto valor. Mas mesmo sem o impacto de coisas que se encorparam na linguagem cinematográfica, o filme consegue manter o apelo mesmo 70 anos depois. Eu adoro. E acho ainda atual e nada datado, tanto em forma como conteúdo. Ainda mais impressionante quando consideramos que é a obra de estreia de um genial e genioso Welles com apenas 25 anos.

Acompanhar uma história estruturada em flashbacks hoje é trivial, mas naquela época não era. Mas o que fica ainda hoje é o poder da história e dos personagens, já que essa discussão sobre o poder da mídia e sua influência nas massas nunca deixa de ser atual. E os personagens são ótimos, com destaque para o nada óbvio Kane, muito bem interpretado pelo próprio diretor. Seus motivos nunca são revelados, mesmo com a descoberta do sentido de sua última palavra. 
 
O clima noir dá um charme todo especial, com aqueles enquadramentos especiais e o incrível jogo de luz e sombra. A fotografia é linda e cria espaços assombrosos, como a mansão Xanadu.

Títulos e rótulos a parte, Cidadão Kane é uma das melhores experiências em cinema que alguém pode ter, em qualquer época ou lugar. Sou muito fã.

 


sábado, 20 de agosto de 2011

AMOR, SUBLIME AMOR (Robert Wise e Jerome Robbins, 1961)


Por mais que Hair seja um dos filmes da minha vida, ou que tenha no coração Across the Universe, acho que West Side Story é o melhor musical que eu já vi. É um desses casos em que Roliúde atinge um nível extra de excelência. Merece cada um dos dez Oscar que ganhou. A coreografia de Jerome Robbins é impressionante, principalmente nas cenas em que dança e luta se misturam. Robert Wise cria cenas inesquecíveis, como a abertura que filma Nova Iorque de cima indo dos pontos mais nobres até o violento lado oeste, onde se passa a trama e os cenários e fotografia são deslumbrantes.

A história é a adaptação da tragédia de Romeu e Julieta para os conflitos entre gangues de americanos e latinos, com o amor proibido de Maria - interpretada pela Natalie Cinturinha-de-Pilão Wood - e Tony - Richard Dentinhos-pra-frente Beymer - o ponto fraco filme. Os personagens coadjuvantes são mais carismáticos, como Riff, de Russ Tamblyn, e Bernardo e Anita, feitos pelos oscarizados George Chakiris e a vulcânica Rita Moreno.

Embora, pelo costume da época, a maior parte das músicas seja dublada, este filme apresenta números que se tornaram clássicos, como “The Jet Song”, “América” e “Tonight”.

 


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A ALMA IMORAL


"Levando em conta que o ser humano é a tensão entre a preservação e a transgressão, entre o corpo e a alma, duas formas profundas de desvios podem ocorrer: o apego e a traição. O apego fere a alma da mesma forma que a traição fere o corpo. Ambas as exacerbações ou desequilíbrios geram violências. A violência à alma é contra a própria vida e responde pela depressão; ao corpo, por sua vez, se expressa contra o mundo externo, nó ódio e na vingança.

O apego ameaça e violenta a integridade de um ser humano da mesma maneira que uma traição. Somos capazes de medir a última, mas poucas vezes nos damos conta da violência que impomos à nossa alma. É, porém, entre esses dois estados de desequilíbrio que residem nossas grandes dificuldades a vida. E o mais fantástico é que eles estão sempre juntos.

Não existe experiência de traição que não venha acompanhada de apego. Na verdade, é nessa dinâmica que devemos manter nossa atenção. Quando um indivíduo ou mesmo indivíduos que mantêm relações afetivas fazem movimentos transgressivos movidos pela alma, são imediatamente confrontados com movimentos de apego pelo corpo.”

Nilton Bonder, 1998




segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SUPER 8 (J.J. Abrams, 2011)


O maior apelo desse filme é o nostálgico regaste do clima de filmes infantis da Sessão da Tarde, como E.T. - O Extraterrestre, Contatos Imediatos de Terceiro Grau e Os Goonies. Não por acaso todos dirigidos ou produzidos por Steven Spielberg, o mago do Blockbuster. No fundo, Super 8 soa como uma homenagem de J.J. (diretor) a Spielberg (produtor), com todas as referências e o próprio modus operanti de contar a história. Mas J.J. não é Spielberg, e o filme tem alguns furos no roteiro. Mas nada que comprometa o resultado final.

As cenas de ação são de tirar o fôlego, com destaque para o acidente de trem. E, cada vez mais , Michael Giacchino mostra que é um dos grandes compositores de trilhas sonoras da atualidade.

Mas o grande trunfo do filme está no afinadíssimo elenco infantil, onde a estrela mais brilhante é a minha mais nova garota Fanning preferida, Elle (que ganhou o posto desde que a irmã cresceu e passou a esfregar a velhice na minha cara). Sua cena de ensaio tem sido comparada com o famoso teste de Naomi Watts em Cidades dos Sonhos.

 


sábado, 13 de agosto de 2011

A ÁRVORE DA VIDA (Terrence Malick, 2011)


Muito e muitas coisas foram e serão escritas sobre o filme vencedor da Palma de Ouro deste ano. A maioria delas, fruto de um racionalismo, se ocupa em descrever ou desvendar e encontrar o objetivo da obra de Malick. Eu acho esse esforço um pouco infrutífero. A Árvore da Vida é um filme para se emocionar e não para se explicar. Qualquer definição serve apenas para definir os definidores.

Isto posto, resta falar que é um dos filmes mais belos que eu já vi. Tudo é filmado com extremo capricho e devoção, e o momentos National Geografic se encaixam perfeitamente nas cenas da família. A comparação mais recorrente é com o Clássico 2001 do Kubrick, inclusive por terem o mesmo supervisor de efeitos especiais, Douglas Trumbull, cujo último trabalho foi Blade Runner em 1982.

Os atores estão ótimos, com destaque para Jessica Chastain e o excelente trio de atores mirins.

Até agora é o Filme do ano. E acho difícil de ser superado.

 


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

DE PROFUNDIS (Miguelanxo Prado, 2007)



Essa animação luso-espanhola é tão bonita que parece até um sonho. É como se as aquarelas ganhassem vida e o próprio movimento das imagens tivesse um pouco de magia e de surpresa. As imagens são belíssimas, e algumas inusitadas, como a casa no meio do mar. Pra completar o deslumbre diante de tanta beleza, a trilha, executada pela Orquestra Sinfônica da Galícia, é ótima, com destaque para os coros e a canção Soños de Auga, cantada nos créditos.

O único senão é que depois da metade o longa fica um pouco monótono. É a velha história daquela meia-horinha para mais ou para menos.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LA ZONA (Rodrigo Plá, 2007)


Por mostrar o conflito entre um condomínio de luxo e a favela vizinha, essa produção espanhola filmada no México bem que poderia ter sido concebida no Brasil, se nossos roteiristas fossem criativos para tanto. Mas, mais do que denunciar a violência das grandes cidades latino americanas, esse filme é uma interessante alegoria sobre comunidade, segurança e justiça, e pode ser considerado por isso como universal.

Uma das coisas que eu mais gostei é como a trama subverte o senso comum, como o garoto pobre correndo risco de vida entre os ricaços, e não o oposto, como era de se esperar. O roteiro é todo muito esperto, e traz uma discussão interessante sobre a violência e o medo do cotidiano. Assim como bem escrito, é bem filmado, com as imagens das câmeras de vigilância ajudando a contar a história e imagens que exploram os espaços contraste com o fundo da favela.

 


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MELANCOLIA (Lars von Trier, 2011)


Lars von Trier é um diretor que desperta opiniões fortes - do tipo ame-o ou deixe-o - entre as pessoas que enxergam nele um gênio ou um tremendo picareta torturador de atrizes. Toda essa aura de enfant terrible do movimento Dogma 95 acaba contaminando a percepção que se tem do filme-em-si, de forma que é difícil julgar a obra e não seu realizador. Principalmente nesse caso, com a polêmica das declarações em Cannes que fizeram do diretor persona non grata no festival.

Em todo o caso, não achei esse filme a experiência tão dolorosa que eu estava esperando. Mas foi bom para me curar do trauma que eu tenho de filmes de von Trier. Ainda não tenho opinião formada sobre o que significa o fim do mundo ou o fato de o tal planeta em rota de colisão com a Terra se chamar Melancolia. Provavelmente nem terei, já que desprezo essas coisas de semioses, pobres ou não. Para mim o filme é sobre a depressão enfrentada por essas duas mulheres, uma sem conseguir se encontrar no mundo exterior e a outra tentando construir esse mundo para se encontrar.

Também gostei mais da primeira parte, a da estranha festa de casamento, por causa da presença de ótimos coadjuvantes como Charlotte Rampling, John Hurt, Stellan Skarsgård e o super-cool Udo Kier. Entre as duas irmãs, assim como no ato do filme que leva o nome, gostei mais da personagem de Kirsten Dunst, o grande destaque do filme, que ofusca tanto a personagem quanto a interpretação de Charlotte Gainsbourg.

No mais, se trata de um filme com belas imagens e uma excelente trilha, cuja seqüência inicial já deixa perceber.

 


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

TAXI DRIVER (Martin Scorcese, 1976)




De forma que eu sou a régua pelo qual meço o mundo, acho que toda pessoa tem o desejo secreto de qualquer hora mandar tudo pra porra e expressar indignação e raiva por meio da violência. Por isso que o personagem Travis Bickle é capaz de despertar tanto interesse. Os sentimentos de inadequação e de desajuste são universais, assim como o ambiente underground das madrugadas de uma metrópole como Nova Iorque com sua fauna marginal falam com o maldito que existe em cada um de nós.

O roteiro de Paul Schrader é direto e forte e profundo e alcançou ares de obra-prima nas talentosas mãos de Scorsese, que cria imagens inesquecíveis como a cena do tiroteio no final. Igualmente marcante é a fantástica trilha, último trabalho do genial Bernard Herrmann. E tudo isso é encarnado na grande interpretação de Robert De Niro.

Por se tratar de uma realização cinematográfica impecável de arquétipos que residem no imaginário coletivo, que Taxi Driver é amplamente celebrado como um dos mais importantes filmes da história.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

FILHOS DE JOÃO - O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO (Henrique Dantas, 2009)


Documentário que conta a história da comunidade alternativa dos Novos Baianos. O João da história é aquele chatola que criou a Bossa Nova e é considerado um padrinho do grupo por tê-los incentivado a adotarem uma sonoridade mais brasileira. Segundo o filme, ele também é responsável pela inspiração da música Acabou Chorare, que nomeia o disco mais famoso da banda e um dos mais importantes já realizados por aqui.

O destaque do filme, além do óbvio que é a história desses ripongas que moravam num sítio e eram ótimos músicos, fica por conta dos depoimentos do maluco-beleza Tom Zé. Pra mim que sou Era de Aquário de coração e mente, é tudo um grande prazer. As ausências mais presentes são a do próprio João Gilberto de e de Baby ex-Consuelo, que chegou a gravar participação, mas posteriormente negou autorização para a exibição.

Assim como os Novos Baianos, o filme dura muito pouco. Uma meia horinha a mais não faria mal a ninguém. Ao fim fica uma pontinha de decepção de que poderia ser um pouco mais longa, tanto o documentário como a atividade da banda.

Quanto à trilha sonora, não preciso comentar nada, não é?

PAPILLON (Franklin J. Schafnner, 1973)

Conta a história desse homem, condenado à prisão perpétua na França, que é mandado para uma prisão na Guiana, onde os prisioneiros são submetidos a um tratamento subumano. Eles vão sofrer o cão na floresta tropical, e como ele alega inocência, escapar dessa ilha infernal se torna seu grande objetivo. Isso o faz aproximar de um falsário – um excepcional Dustin Hoffman – que financia os planos de fuga em troca de proteção. Eventualmente uma forte amizade surge entre esses dois.
Interessante notar que a determinação cega em fugir se torna a única coisa forte o bastante para mantê-lo lúcido em meio ao horror daquela prisão.
Todo destaque vai para Steve McQueen, que segura as pontas do protagonista – inclusive nas cenas da solitária – nas duas horas e meia de filme.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR (Joe Johnston, 2011)


Em uma época em que os filmes de heróis estão se sofisticando, com tramas mais ricas e personagens mais profundos, como a franquia Batman de Christopher Nolan e os X-Men de Bryan Singer ou ainda o anti-herói de Homem de Ferro, uma figura como o Capitão América parece fora de moda.

Mas é justamente na despretensão em fazer um filme cabeçudo que reside o mérito desse filme. E mesmo com um protagonista tão valoroso, corajoso e que nunca hesita em defender o lado do bem, essa sessão da tarde funciona, por que em momento nenhum tenta ser outra coisa além disso. Os outros temas espinhosos como o americanismo e a Segunda Guerra são resolvidos de forma que não comprometem o geral do filme.

Os efeitos especiais são ótimos, principalmente nos utilizados para transformar Chris Evans em um franguito.

E vamos para a parte do elenco, que sempre me diverte, e é particularmente muito boa. Já começa com a grata presença do figurão Tommy Lee Jones; tem a participação de Stanley Tucci, que eu gosto muito; o vilão é interpretado pelo Hugo Weaving, que tem se especializado em papéis com outro rosto que não o dele mas que pra mim sempre vai ter cara de Priscila, Rainha do Deserto; e os coadjuvantes: Sebastian Stan, o bonitinho mais ordinário de Gossip Girl, e Dominic Cooper que toda vez que eu vejo começa a tocar instantaneamente na minha cabeça “I wasn't jealous before we met, now every woman I see is a potential threat”.

O 3D funciona muito bem e, pra quem persiste no cinema após os créditos, é exibido um mini trechinho dos Vingadores, filme que promete botar pra quebrar em 2012.