terça-feira, 30 de agosto de 2011

PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM (Rupert Wyatt, 2011)


Alguns filmes de entretenimento – os bons – conseguem embutir entre cenas de ação e personagens carismáticos alguns temas e ideias bacanas, eu diria até profundos. Este aqui apresenta o arquétipo de deus, o conflito entre criador e criatura, quando seres dotados de inteligência e poder de decisão fogem do controle e ameaçam escrever seu próprio destino. Por isso eu achei a o cientista interpretado por James Franco ingênuo e raso demais. O cara desenvolve macacos super sabidos apenas pra tentar curar a caduquice do pai.

Mas o destaque desse filme são os símios. A interpretação de Andy Serkis é muito boa, graças ao avanço da tecnologia que permite colocar as emoções do ator na figura virtual. Aliás, a parceria de Serkis com a empresa de animação WETA é bastante profícua e já rendeu frutos como o Gollum de Senhor dos Anéis e o protagonista de King Kong
 
Uma coisa é interessante notar. Assim como na seqüência da abertura de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, o avanço da inteligência vem junto com a adoção da violência como forma de se expressar. Os macacos, uma vez espertos e despertos ficam todos com a macaca pra se vingarem tanto de seus criadores como dos humanos que os tratavam como inferiores. É tipo um mito do bom selvagem, só que do contrário. Não deixa de ser uma forma de descrever o que nos torna o homo sapiens.