Lars von Trier é um diretor que desperta opiniões fortes - do tipo ame-o ou deixe-o - entre as pessoas que enxergam nele um gênio ou um tremendo picareta torturador de atrizes. Toda essa aura de enfant terrible do movimento Dogma 95 acaba contaminando a percepção que se tem do filme-em-si, de forma que é difícil julgar a obra e não seu realizador. Principalmente nesse caso, com a polêmica das declarações em Cannes que fizeram do diretor persona non grata no festival.
Em todo o caso, não achei esse filme a experiência tão dolorosa que eu estava esperando. Mas foi bom para me curar do trauma que eu tenho de filmes de von Trier. Ainda não tenho opinião formada sobre o que significa o fim do mundo ou o fato de o tal planeta em rota de colisão com a Terra se chamar Melancolia. Provavelmente nem terei, já que desprezo essas coisas de semioses, pobres ou não. Para mim o filme é sobre a depressão enfrentada por essas duas mulheres, uma sem conseguir se encontrar no mundo exterior e a outra tentando construir esse mundo para se encontrar.
Também gostei mais da primeira parte, a da estranha festa de casamento, por causa da presença de ótimos coadjuvantes como Charlotte Rampling, John Hurt, Stellan Skarsgård e o super-cool Udo Kier. Entre as duas irmãs, assim como no ato do filme que leva o nome, gostei mais da personagem de Kirsten Dunst, o grande destaque do filme, que ofusca tanto a personagem quanto a interpretação de Charlotte Gainsbourg.
No mais, se trata de um filme com belas imagens e uma excelente trilha, cuja seqüência inicial já deixa perceber.