domingo, 31 de julho de 2011

ABRAÇOS PARTIDOS (Pedro Almodóvar, 2009)


Esta não é mais uma obra brilhante do diretor espanhol, como estamos mal-acostumados. Mas ainda sim é um filme de Almodóvar, o que quer dizer que mesmo não sendo brilhante está acima da média. O que mais me incomodou foi a longa duração desnecessária. Mais enxuto, o filme seria excelente.

A história é sobre um diretor de cinema que muda de nome após perder a visão e como ele conhece e perde seu grande amor. A força do longa reside a beleza arrebatadora de sua musa Penélope Cruz, mas também em todo o elenco, principalmente em Blanca Portillo. Outro ponto alto é a revência e referência ao próprio cinema, uma constante da filmografia do apaixonado Almodóvar.


 

INVERNO DE SANGUE EM VENEZA (Nicolas Roeg, 1973)


Creio que o maior mérito da história criada por Daphne Du Maurier (responsável por suspenses hitchcockianos como Os Pássaros e Rebeca, a Mulher Inesquecível) esteja em enxergar Veneza como um lugar misterioso e assustador, em vez do cenário romântico que estamos acostumados.

As atuações de Julie Christie e Donald Sutherland como o casal atormentado pela perca da filha são muito boas e alimentam o suspense, sem deixá-lo artificial demais. O filme é muito coeso, com todas as cenas contribuindo para o desfecho trágico. Um belo exemplo de cinema de terror onde o suspense impera sobre situações de sustos gratuitos.

 

sábado, 30 de julho de 2011

FALE COM ELA (Pedro Almodóvar, 2002)


A impressão que eu tenho de Almodóvar é que ele é apaixonado profundamente pelos filmes que faz, que se envolve com os personagens e suas histórias. E tudo que é feito com essa paixão e verdade consegue cativar e emocionar o público. 

Na contramão da maioria dos filmes do diretor espanhol, pródigo em retratar dramas femininos, este filme é protagonizado por dois homens, mas eles orbitam em torno de duas mulheres em coma. A aproximação dos dois numa forte amizade é que conduz a sensibilíssima trama, que deu a Almodóvar o Oscar de Roteiro Original em 2003 (um ano realmente excepcional na premiação da Academia). E, como sempre acontece nos filmes do diretor, a história segue caminhos que você não imagina no início da projeção.

Além da paixão pelas histórias e personagens, eu vejo também uma paixão pelo próprio cinema, pelas imagens que dão vida a elas. Nesse filme isso fica evidente na homenagem ao cinema mudo e na belíssima cena da tourada. E como cinema é imagem e música, a trilha sonora ocupa um papel de destaque, principalmente para os brasileiro, com diversas citações de MPB ao longo do filme e a participação de Caetano Veloso em pessoa, em sua famosa interpretação de Cucurrucucú Paloma.

 

sexta-feira, 29 de julho de 2011

DOUTOR FANTÁSTICO (Stanley Kubrick, 1964)


Dizem que quem nunca viveu na Guerra Fria não consegue compreender  o pânico nuclear  que reinava naquela época. Isso tornaria esse filme datado e sem apelo para a atual geração. Tornaria, se não fosse obra de um gênio como Kubrick. E como sabemos, os gênios são eternos.

Peter Sellers está fantástico (perdoem o trocadilho infame) em todos os três papéis que representa, assim como todo elenco. O ritmo e a montagem da trama não saem do lugar em hora nenhuma, e o os diálogos estão recheados de pérolas.

Pérolas estas que corroboram a classificação desse filme como comédia. Mas é uma comédia por que parece absurdo demais que uma meia dúzia de homens podiam ter o poder de decretar o futuro da humanidade sobre a Terra, e também que a concretização desse futuro fosse tão frágil a ponto de ser ameaçada por um maluco. Riam e rimos para não levar a sério.

 

INÍCIOS INESQUECÍVEIS: “Corpo Vivo”


          “Encontrarão o ninho, é o que pensa. Nas costas, oculta pela mata, ficara a serra. A terra devia ter se contorcido, fervendo em lama, pedras e lavas em atrito, para faze-la o aleijão medonho. Erguendo-se da chapada, montanha que sobe em desaprumo, florestas e rochedos se abraçam nas quedas dos despenhadeiros. Furacão doido e bruto que rodava a torcera, como se fosse um pano molhado, e malhas são as nuvens que a rodeiam. O veto, detido pelas encostas do outro lado, não passa. Imagem nos olhos, enquanto anda, João Caio sabe que ali o homem e a mulher encontrarão o ninho.
           Tudo, em seus olhos, se aloja. A serra demora a apagar-se, subsistindo aos pedaços, as florestas como crinas escuras. Em uma caverna ou em uma choça, agora livre como as feras, Cajango poderá dizer à mulher que uma vida ficou embaixo. É possível que tenha atravessado a chapada abrindo caminho no capinzal. Esperava-o a serra, tromba de mil voltas na arrancada para o céu. As pálpebras não descem, Bem-Bem atrás, o bando na frente.
           Regressam, os pés na mesma trilha, a mata calada como as bocas. Muito andarão ainda para que possam sentir o vento. Os rifles, nos ombros e nas mãos, começam a pesar. Nele, João Caio, os olhos se enchem de figuras. É a corda de couro, seu baque surdo. Os ouvidos comendo as palavras:
          __ Era para enforcar Cajango.
         Homens correndo, as fogueiras altas, Chico das Bonecas falando. Sentado está padrinho Abílio, os braços sobre o rifle, os músculos endurecidos na cara. As imagens passam devagar nos olhos quentes como em febre. O rifle, entre os braços de o Alto, vomita fogo. Dico Gaspar saltando, nu da cintura para cima, a faca nos dentes. Nervos que vão dos braços para as armas e nelas se planta a raiva dos homens. Berros acompanham os estampidos, dedo e gatilho uma só peça, nos canos o mesmo calor dos peitos. Quando ergue a mão, talvez para afastar as imagens, vê a pulseira de ferro. É curioso como o acompanhara, sempre no pulso, também uma testemunha. O pés continuam se movendo. Bem-Bem atrás, tem as mãos de menino, a boca murcha.
          __ Para enforcar Cajango.
         A corda no chão, o baque surdo, o suor escorrendo. Na hora, quando o espancaram, não arrancaram a pulseira de ferro. Ele os guiara, dias e dias, até que pôde mostrar a serra. A terra enrodilhada subindo como a ferir o céu. Nela, tendo a mulher ao lado, Cajango é o primeiro homem a viver. Pedras serão removidas por seus braços fortes. Alertas estarão os seus olhos verdes. Deve ter conhecido a alegria ao transpor o capinzal, sua mão apertando a mão da mulher, cheios de vida os corações batendo.
          Os pés ainda se movendo. Anulam-se, pouco a pouco, os ruídos da mata. É a voz que sobe, como nascendo do sangue, a voz de padrinho Abílio. O rio encachoeirado não tem o seu eco. Os ouvidos a aceitam novamente, lenta e dura, blocos de pedras que poderiam rolar da montanha.”

Adonias Filho, 1962

 

terça-feira, 26 de julho de 2011

RAN (Akira Kurosawa, 1985)


Provando que Shakespeare é mesmo universal, Kurosawa encena o Rei Lear em pleno Japão feudal. Mas em vez das pilantras Goneri e Regan e da leal Cordélia, nesse filme são marmanjos que disputam a herança do velho Rei arrogante e pretensioso.

Com um roteiro desse naipe, onde todas as traições, conspirações e intrigas do texto do Bardo caem como uma luva no cenário dos samurais, o filme não poderia ser ruim. Ainda mais que é filmado com o esmero visual característico do diretor japonês. As imagens das nuvens passando dão o tom profundo da história e as paisagens são belíssimas. Todas as cenas são muito boas mas o destaque vai para as impressionantes seqüências de batalha.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ASSALTO AO BANCO CENTRAL (Marcos Paulo?!, 2011)

 
A vida homenageia o cinema e se encarrega de produzir um tremendo roteiro - o maior e mais ousado assalto já ocorrido no Brasil, onde mais de 164 milhões de reais foram roubados do Banco Central em Fortaleza através de um túnel sem que nenhum tiro fosse disparado. Mas o cinema, infelizmente, não consegue fazer jus à vida.

Afogado em meio aos clichês de filme de roubo a banco e à carência crônica de bons roteiros de que sofre o cinema comercial nacional, o diretor de Malhação e galã da Globo Marcos Paulo entrega um filme pouco relevante, a despeito do enorme potencial que o filme teria nas mãos de equipe mais talentosa.

A trama é sustentada pelas boas atuações (em papéis que poderiam ser melhores) de duas novas figuras do cinema nacional: Hermila Guedes e Milhem Cortaz, e também na participação de atores veteranos, como Gero Camilo e Tonico Pereira. A dupla da polícia federal, ainda que formada pelos bons atores Guilia Gam e Lima Duarte, não apresenta química, o que torna a parte da investigação pouco interessante.

Claro que testemunhar a maturidade técnica do cinema brasileiro é sempre uma boa pedida, mas a sensação que deixa ao assistir Assalto ao Banco Central é que ficam repetindo algumas fórmulas esgotadas há anos no cinema americano, sem acrescentar nada de original ou de personalidade própria.

domingo, 24 de julho de 2011

TIO BOONMEE QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS (Apichatpong Weerasethakul, 2010)



O filme vencedor da Palma de Ouro de 2010 colecionou críticas entusiasmadas por onde passou, inclusive no Brasil. O que mais me chamou atenção nesse filme é a naturalidade com que o diretor – Joe, para os ocidentais – constrói uma narrativa impregnada de elementos fantásticos e próprios das lendas. Tais elementos entram com tanta sutileza que ninguém se estranha com a presença de fantasmas e outras criaturas.

Tudo nesse filme é filmado de forma a criar empatia com o público, por isso que uma obra da Tailândia, que mostra até uma princesa seduzida por um bagre angariou tantos fãs mundo afora. O tema é igualmente tocante e universal: a proximidade da morte, no caso, do personagem-título. Boonme é um agricultor, e devido a uma grave doença renal, recebe a visita de seus últimos parentes vivos. Mas as visitas não param por aí, sua falecida mulher e seu filho convertido em Chewbacca dos olhos vermelhos também aparecem para ajudá-lo na “passagem”, que culmina numa bela e angustiante seqüência em uma gruta-útero.

O lugar da ação é um elemento importante do filme. A floresta, um espaço misterioso e encantador por excelência, compõe o cenário mágico por onde os personagens circulam, acentuando o clima lendário. Em contraponto temos o epílogo, que se passa na cidade e mostra os personagens sobreviventes numa vida “desconectada” de todo aquele universo de possibilidades que é simbolizado pela natureza.

 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

DESPERTAR: UMA VIDA DE BUDA



“Todos os seres sencientes, desde tempos sem princípio, sempre ansiaram por visões e sons musicais belos e sensações bem-aventuradas e sabores requintados e fragrâncias adoráveis, enchendo sua mente pensante com um pensamento atrás do outro e fazendo com que esteja sempre ativa, acreditando que a mente deve ser usada, jamais percebendo que ela está além do uso, jamais percebendo que ela é por natureza pura, misteriosa, permanente e vazio divino; isso faz com que, em vez de seguir o caminho da permanência, sucumbam às cinco contaminações e sigam a corrente de mortes e renascimentos transitórios. Em consequência disso, há vida após a vida, sempre recorrente e sempre cheia de contaminações, impermanência e sofrimento.”


Jack Kerouac, 1955
Traduzido por Lúcia Brito




segunda-feira, 18 de julho de 2011

OS INCOMPREENDIDOS (François Truffaut, 1959)



Na primeira vez que vi Os Incompreendidos, estava dando aula para jovens, e estava justamente chocado com o abismo de comunicação que se coloca entre as gerações. Quando eu era jovem não era entendido pelos adultos, mas isso era por que eles eram antiquados e caretas, mas de repente eu vi que os da minha idade, agora adultos, também não se esforçavam por entender os jovens de então. Isso me deu a sensação que tínhamos perdido algo pelo caminho. Esse cenário produziu a profunda empatia que sinto pelo personagem de Antoine Doinel.

Personagem esse que, reza a lenda, carrega muito da vida de Truffaut, que também era uma criança rebelde e que matava aula pra ir ao cinema, um bem para o Cinema mundial. Mas a construção de Antoine não ocorre apenas no carinho com que foi escrito por Truffaut, mas se completa com a brilhante e espontânea interpretação de Jean-Pierre Léaud, uma espécie de James Dean infantil francês. Essa parceria em que cada um coloca um pouco de si nesse personagem tão querido perdurou por décadas, em mais quatro ou cinco filmes, onde podemos encontrar Antoine em diferentes fases da vida, como um amigo querido.

Mas além de um filme de sentimentos pessoais, Os Incompreendidos (raro caso de boa tradução do título), primeiro longa de Truffaut, é considerado como uma das pedras fundamentais do movimento da Nova Onda francesa, que revolucionou a forma de fazer cinema no mundo todo.

Assim como a inesquecível seqüência final, esse é um filme marcante, que eu guardo na memória como grande carinho, como um dos melhores que já tive oportunidade de ver.

 

domingo, 17 de julho de 2011

ESPECIAL XIII FICA





 





LIXO EXTRAORDINÁRIO (Lucy Walker, 2009)


O artista plástico brasileiro Vik Muniz sempre chamou atenção por tirar alguns materiais de seu uso comum e adotá-los como matéria-prima de suas obras de arte. A ideia de ir ainda mais fundo nesse conceito e utilizar o material descartado como lixo é a premissa desse filme. Desde o início, Vik deseja trabalhar não apenas com o material disponível no aterro sanitário do Jardim Gramacho (outrora conhecido como maior lixão do mundo), mas também com os trabalhadores que convivem diuturnamente com aquilo que a sociedade carioca considera como passível de descarte.

E é na histórias das pessoas que Vik encontra em Gramacho que reside o apelo desse filme, que foi indicado ao Oscar e levou o Troféu do Juri Popular no FICA. Confesso que achei um pouco piegas a forma como o drama dos catadores é mostrada, mas aquela situação degradante é a realidade em que eles vivem. Mas o filme é corajoso em mostrar o dilema do artista, já que os trabalhadores de Gramacho que experimentaram outra vida ao servirem de modelos e ajudar na confecção das obras, fatalmente voltariam para a faina de revirar o lixo a procura do sustento.

Mas como eu sou alienado, me encantei principalmente quando mostram o processo criativo e a feitura das obras, que sempre me impressionam.

OS GUERREIROS DO ARCO-ÍRIS DA ILHA DE WAIHEKE (Suzanne Raes, 2009)


Filme laureado com o Troféu Carmo Bernardes para Melhor Longa Metragem. Trata das memórias dos fundadores do Greenpeace, que hoje, aposentados, moram numa ilha da Nova Zelândia.

As memórias se concentram no período em que essa turminha da pesada aprontava todas a bordo desse navio do barulho, o Rainbow Warrior, que veio a pique em 1985, devido a um ataque a bomba. O navio era como a casa dessas pessoas, e perdê-lo, junto com os amigos que soçobraram junto dele foi um duro golpe para aqueles jovens que queriam mudar o mundo.

Mas, mais importante que mostrar o início do ativismo ambiental no mundo, o encanto desse filme está nas pessoas e nas relações que elas criaram a bordo do navio. A mensagem que fica é que mais importante que impedir testes nucleares ou salvar as baleias, é conhecer pessoas, fazer amigos, amá-los e ficar do lado deles em qualquer ocasião.

TERRA DEU, TERRA COME (Rodrigo Siqueira, 2010)


O filme acompanha o resgate das manifestações fúnebres dos vissungos, uma tradição de origem africana presente entre os escravos e seus descendentes nas regiões de garimpo de Minas Gerais. Para tal, acompanha Pedro de Alexino, um dos últimos conhecedores das cantigas.

Mas como o Seu Pedro é preto-velho-mineiro-contador-de-causo é difícil definir o que é tradição, relato, representação ou memória. E é esse não-lugar o encanto do filme, e também o próprio protagonista, uma figura tão simpática que seria impossível de ser inventada.

Na preparação para o enterro falso, entramos em contato com histórias sobre a família de Seu Pedro e sobre a comunidade quilombola de Quartel do Indaiá, um lugar que parece perdido no tempo, em virtude da carência extrema de confortos modernos e na simplicidade de seus habitantes.

Eu não sei se para outras pessoas essa história tem o mesmo apelo que tem pra mim, que sou tão fascinado por batuques e cantorias e tradições africanas e causos que podem ter acontecido ou não.

SEMPRE BELA (Manoel de Oliveira, 2006)


Com 102 anos, o português Manoel de Oliveira é, provavelmente, o mais velho cineasta do mundo ainda na ativa. E produzindo filmes interessantes, como é o caso em questão.

Neste filme, Oliveira realiza, quatro décadas depois, o reencontro dos personagens Henri Husson e Séverine Serizy do filme “La Belle de Jour” de Buñuel. Esse encontro se dá por acaso, o que faz Husson perseguir Séverine (agora interpretada por Bulle Ogier) para reviver os acontecimentos do passado, coisa que ela parece evitar. Esta sequência não acrescenta nenhum dado novo à história original de 1967, mas evoca uma discussão sobre o que fazer com as memórias, revivê-las ou esquecê-las, o que deve ser um tema bastante próximo para quem viveu um século.

O destaque vai para a cena do jantar dos dois protagonistas, que começa com um silêncio constrangedor e culmina numa bela sequência na penumbra, com Paris ao fundo, iluminada por velas quase se apagando.

O homem pode ser velho, mais ainda tem muito talento.


 

AS HORAS (Stephen Daldry, 2002)


Este é um dos filmes mais tristes que existe. Não raro se ouve relatos de pessoas que ficaram melancólicas por dias depois de vê-lo. Naturalmente que um filme tão triste só poderia ser sobre mulheres. “A vida toda de uma mulher num único dia. Só um dia. E nesse dia sua vida toda”. No caso são três mulheres. Três mulheres separadas no tempo e no espaço, mas igualmente oprimidas por coisas que, aparentemente, são triviais, como fazer um bolo, decidir o cardápio do almoço ou organizar uma festa. A sensibilidade do romance de Michael Cunningham vencedor do Pulitzer, adaptado por David Hare, está em suspender o véu do prosaico e procurar o que existe de universal no drama dessas mulheres. Por isso nos identificamos tanto.

A excelente trilha sonora de Philip Glass funciona como um fio de ligação entre as histórias independentes e a direção sensível de Daldry cria um padrão visual ainda mais envolvente. 

Tudo isso é coroado com uma das melhores reuniões de elenco dos últimos tempos. Não existe atuação ruim, nem a do garoto Jack Rovello. Os papéis dos coadjuvantes são ótimos, e as atuações idem de Stephen Dillane, John C. Reilly, Toni Collette, Allison Janney, Claire Danes, Jeff Daniels e Ed Harris. Cada cena em que eles aparecem e contracenam com as protagonistas é um deleite.

E, acima de tudo, somos privilegiados com as brilhantes atuações de Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep. Impossível dizer quem está melhor. Elas conseguem dar o tom exato do drama existencial das três mulheres tocadas pelo romance de Mrs. Dalloway.

Enfim, esse é filme tocante, emocionante e que fica gravado na memória como uma das grandes experiências que se pode através de uma tela.


 

sexta-feira, 15 de julho de 2011

MAR ADENTRO (Alejandro Amenábar, 2004)

 
Filme baseado na história real de Ramón Sampedro, um tetraplégico espanhol que levantou grande discussão ao pleitear na Justiça o direito de obter ajuda para cometer suicídio. É impossível não se colocar no lugar protagonista ou de sua família e imaginar como seria nossa reação diante de um drama desses. 
 
O maior triunfo do diretor é retratar os personagens sem julgá-los, sem a lente do lugar comum. Ramón é um homem que sorri, faz bromas, e até é sedutor, embora tenha o firme desejo de abandonar essa vida. Tudo isso é mostrado em imagens belíssimas, trilha idem e emocionantes poemas.

Mas a força dessa história encontra sua face na interpretação soberba de Javier Bardem. Ele brilha encabeçando um ótimo elenco, dando o tom exato de simpatia que o personagem pede, sem resvalar na piedade ou compaixão.

Um filme de beleza tocante, que traz reflexões sobre a vida, a morte e as relações entre as pessoas enquanto isso.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

ABRE LOS OJOS (Alejandro Amenábar, 1997)


Por ser um filme que mistura sonho, fantasia e delírio, sem demarcar a fronteira destes com a “realidade” (detesto ter que usar essa palavra), a película espanhola pré-make de Vanilla Sky me ganhou de cara. Principalmente quando tudo isso fica misturado, criando um clima meio terror. No final, quando se transforma numa ficção científica com a intenção de explicar tudo, perde um pouco da graça para mim.

Com esse roteiro interessantíssimo, Amenábar faz uma direção memorável, mesmo com as limitações do lugar e época. Gostei muito da trilha sonora, e o elenco está afiadíssimo, com a ótima interpretação de Eduardo Noriega e a belíssima Penélope Cruz, no papel que lhe abriu as portas de Hollywood.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

CILADA.COM (José Alvarenga Jr., 2011)



Mais uma comédia global chega as telas, dessa vez vindo da TV paga. Fui com expectativa zero, pois não acho o Bruno Mazzeo essa coca toda não. Mas até que me diverti bastante. O filme é bastante engraçado, mas a minha opinião não conta, já que me divirto com qualquer festa. 
 
A história é sobre esse publicitário (sempre são publicitários, não?) cuja traição é descoberta pela namorada, que por vingança posta nas internetê um vídeo em que ele tem uma ejaculação precoce. Algumas piadas são mais sujas e/ou picantes, nada que seja constrangedor.

O elenco afinado ajuda a manter o ritmo, e mesmo quando o filme toma ares de comédia romântica o resultado final não é comprometido.

domingo, 10 de julho de 2011

PIQUENIQUE NA MONTANHA MISTERIOSA (Peter Weir, 1975)


Não é só a montanha do título que é misteriosa. Tudo mais nesse filme é envolto em uma aura de mistério. A história se passa no dia de São Valentim, na Austrália do ano de 1900. Um grupo de garotas de um internato sai para um passeio na tal montanha e três dessas garotas e uma professora simplesmente desaparecem. Mas o clima nebuloso que permeia todo o filme vem desde antes, com a forma como o internato é mostrado e as suas professoras e as próprias alunas. A fotografia e a trilha sonora completam o panorama, em um ritmo lento e contemplativo.

Talvez pela narrativa não apontar nenhum caminho e deixar tudo no reino da sugestão, esse filme se aproxime da atmosfera onírica que eu sempre busco. Mas nesse caso, se trataria de um sonho ruim, incômodo, que te faz querer acordar logo e que traz arrepios quando se lembra acordado.

NASCE UMA ESTRELA (George Cukor, 1954)


Quando Roliúuode resolve fazer um filme sobre si mesma geralmente se sai bem. E eu gosto de ver como não esconde seus podres debaixo do tapete, como o alcoolismo de seu protagonista ou o mau-caratismo de seus departamentos de publicidade. Mesmo que tenha sido um desabafo de Judy Garland sobre tudo que sofreu na mão dessa indústria, ainda me surpreendo em ver como essa própria indústria aceita ser retratada dessa maneira. 

E falando nisso, o filme é todo de Garland, cuja derrota no Oscar é uma das maiores zebras da história. Ela brilha tanto nas cenas dramáticas como nos números musicais. E de certa forma, o filme aborda alguns aspectos de sua vida, como a interferência dos estúdios na vida pessoal de suas estrelas e o conflito entre talento e aparência física.

 

sábado, 9 de julho de 2011

TRANSFORMERS: O LADO OCULTO DA LUA (Michael Bay, 2011)


Explosões, carrões que viram robôs, ritmo acelerado. Michael Bay já mostrou que é o mestre nesses assuntos com a franquia Transformers. A novidade nesse filme é o domínio impressionante da tecnologia 3D. Mesmo nas cenas onde nada “pula” na sua cara, é possível perceber o efeito da profundidade. Outro aspecto notável é como os robôs têm uma personalidade definida, funcionando como verdadeiros atores da trama.

E pra coroar a diversão, o elenco. John Turturro, indispensável na franquia; Frances McDormand, ótima e que eu adoro sempre; Ken Jeong, engraçado até tomando toddynho; John Malkovich, brilhando em pequena participação; Patrick Dempsey, um dos melhores canastrões da atualidade; e a maior novidade: Rosie Huntington-Whiteley, a loiraça belzebu que substitui com louvores Megan Fox.

 

domingo, 3 de julho de 2011

AMARGO PESADELO (John Boorman, 1972)



Neste filme, a natureza é retratada como um símbolo da própria natureza humana: desconhecida, violenta e selvagem. Por isso mesmo deve ser amestrada, represada, civilizada. Quando esses quatro amigos decidem encarar a floresta, estão deixando também a civilização e suas leis para trás. Os habitantes nativos são mostrados de forma animalesca, primitivos e violentos, dispostos a saciar seus desejos a qualquer preço. Ao entrar em contato com isso tudo, os homens da cidade entram em conflito se devem continuar com os valores burgueses ou encarar a crueza da selva.

As cenas de tensão são muito bem filmadas, explorando ao máximo a paisagem natural. Destaque também para o duelo de banjos e, por que não, para a interpretação de Jon Voight (o homem que amamos por ter nos dado a dádiva que é a Jolie).



sábado, 2 de julho de 2011

UM LUGAR QUALQUER (Sofia Coppola, 2010)



Em seus filmes, Sofia Coppola, costuma retratar um mal de nossa época: o tédio. Suas personagens geralmente se sentem insatisfeitas com algo que nem conseguem identificar, quanto mais expressar, e isso é comumente observado nas pessoas em nossa volta. Para substanciar o marasmo da vida dos personagens, os filmes também são modorrentos e arrastados, e isso faz com que muita gente torça o nariz para as suas produções.

Neste filme, a vida sem sentido abordada é a do astro de Hollywood Johnny Marco, interpretado por Stephen Dorff. Toda aquela vida de luxo e luxúria que povoa o sonho da maioria de nós mortais já não lhe desperta nenhuma atração. Mas sua rotina é alterada com a presença de sua filha Cleo (ótima interpretação de Elle Fanning), que praticamente é abandonada pela mãe, que também não agüenta mais a vida que leva. É na dinâmica que se desenvolve entre os dois personagens que está o cerne do filme. A partir da convivência mais próxima com a filha, que Johnny vai reavaliar sua postura, e talvez encontrar um nova forma de encarar o futuro.