segunda-feira, 27 de junho de 2011

MEIA-NOITE EM PARIS (Woody Allen, 2011)


Impossível de não gostar. Também pudera: Kathy Bates, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Alison Pill e Carla Bruni. E claro, ela, Paris! Arrisco em dizer foi o filme mais divertido que vi no cinema nesse ano até agora, empatado com Rio.

Da história não se pode comentar muito para não estragar todas as deliciosas surpresas do filme. Mas eu não resisto, imagine só uma soireé com Zelda e Scott. 

Mas é interessante notar os contrastes presentes no filme. O contraste entre o protagonista, apaixonado pela época de ouro dos anos 20, e a família da noiva, americanos ricos típicos que acham que arte e antiguidades são baboseiras. Contraste entre a forma antiga e atual de ver a literatura e o papel do artista. A única que nunca muda é essa insatisfação com o presente, que é sentida por dois personagens, uma idealização do passado, um sentimento de pertencer a uma época quando ainda não se tinha nascido.

Enfim, fiquei realmente encantado com essa Paris em que depois da meia noite os mais notáveis encontros são possíveis.

 


quarta-feira, 8 de junho de 2011

SEM DESTINO (Dennis Hopper, 1969)


Estreando nos cinemas logo depois do Festival de Woodstock, esse filme se tornou um ícone da contracultura americana. E é essa conjunção de espírito hippie, road movie e uma trilha sonora das melhores que faz desse filme uma experiência tão singular, pelo menos pra mim, que amo muito tudo isso.

A ideia que começou com uma fotografia de Peter Fonda, ganhou corpo com Dennis Hopper e deslanchou com a adesão de Jack Nicholson. E os três estão ótimos no filmes (ou a maconha que eles consumiram era realmente da boa) mas é Nicholson que rouba a cena em sua marcante – e que poderia ser maior – participação.

No final, saí da exibição com aquela sensação de melancolia, igual a que eu senti na cena final do documentário Woodstock - 3 Dias de Paz, Amor e Música quando, ao som da guitarra do Hendrix, é mostrado aquele cenário desolador do fim da festa. Como se a liberdade pregada pelos personagens nunca chegasse, nem pelas drogas, nem pela estrada. Algo como se o sonho tivesse acabado.

 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

X-MEN: PRIMEIRA CLASSE (Matthew Vaughn, 2011)


No ano 2000, quando os mutantes chegaram ao cinema, a primeira cena que vimos foi a do garoto Erik Lehnsherr sendo separado dos pais em um campo de concentração e revelando seus poderes de mutante. Este filme começa com a mesma cena, mas em vez de avançar décadas no tempo, mostra o que aconteceu logo depois. No lugar de Professor Xavier e Magneto, temos Charles e Erik, e o filme foca no início da relação ao mesmo de amizade e rivalidade dos dois. Infelizmente, pela grande quantidade de informações que o filme traz, essa relação não é aprofundada.

E se nos demais filmes, um tema de direitos das minorias sempre era tratado, dessa vez o assunto é a história, como os mutantes bem no meio da Guerra Fria e da Crise dos Mísseis de Cuba. E o elenco, embora não conte com tantas estrelas é bastante afinado, com destaque total para Michael Fassbender e sua interpretação de um Erik cheio de raiva e dor.

As seqüências de recrutamento e do treinamento dos mutantes quebram um pouco o ritmo da trama, e eu esperava um final com um crescente de emoção maior – mas esse sou eu, o único cara que adorou o X-Men 3. Os efeitos especiais, se não são aquela Brastemp, também não prejudicam a história. E tem também aquele visual anos 60 que eu adoro. 

E agora uma satisfação particular: fiquei contente de ver a Rose Byrne mais fornidinha das carnes e mais coradinha. Essa menina tava que era só pele e osso na última temporada de Damages. Deve ter voltado pra Austrália pra tomar leitinho e comer carneiro.


domingo, 5 de junho de 2011

DERSU UZALA (Akira Kurosawa, 1974)


Um filme sobre a relação homem-homem-natureza. O Golbi que nomeia o filme é uma espécie de espírito sábio da floresta que guia o capitão explorador. Conhecendo o homem o capitão conhece a natureza e quanto mais conhece da natureza, mais se aproxima do homem. Esse conhecimento e aproximação faz surgir uma forte amizade que tornará o capitão mais sábio e o protegerá na natureza selvagem.

Como personagem importante do filme, e verdadeiro alter-ego de Derzu, a floresta é filmada com bastante reverência e contemplação, o que gera cenas belíssimas que em muito se devem à exuberante paisagem selvagem da velha mãe Rússia.

Embora não seja russo, Kurosawa se mune de toda sua sensibilidade para retratar o cenário natural que emoldura um conto universal de amizade e respeito.

 


QUEBRANDO O TABU (Fernando Grostein Andrade, 2011)


O duro de se comentar um documentário é ultrapassar a parte do filme e versar sobre o assunto por ele tratado, nesse caso bastante polêmico. O diretor, que já havia feito Coração Vagabundo sobre Caetano Veloso, com a intenção de atingir bastante gente, principalmente os jovens, entrega um filme bastante pop, com o uso de animações, trilha sonora bacana e um ritmo que nunca fica monótono.

O filme, produzido entre outros por Luciano Huck, é conduzido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que integra a Comissão Global sobre Políticas das Drogas e conta com a participação de Bill Clinton, Jimmy Carter, Drauzio Varella e Paulo Coelho. Eles defendem que a atual forma com a qual a questão das drogas é tratada, por meio da repressão, que surgiu nos EUA dos anos 80, com o mote de “Guerra às Drogas” e posteriormente foi exportada para a América Latina falhou nos seus objetivos e propõem como caminho a descriminalização dos usuários e políticas de redução de danos como as desenvolvidas em países europeus, como Portugal e Holanda.

Quando o filme tenta mostrar o tremendo rolo que é o envolvimento das drogas com a violência tanto nos EUA como na América Latina embola um pouco o meio de campo, pelo fato de ser um assunto por natureza muito complexa e quando mostram as fortes cenas dos viciados preparando heroína nos centros de redução de danos da Holanda, desvia um pouco do assunto que é principalmente a maconha.

Destaque para o mea-culpa do ex-presidente, explicando por que não fez nada nesse sentido quando estava no Planalto.
 

 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A MARCA DA MALDADE (Orson Welles, 1958)



O cara nunca é gênio à toa. Contratado inicialmente apenas como ator, (um engano da estrela Charlton Heston o fez assumir a direção) Welles fez, com seu senso cinematográfico único, de uma fita noir ordinária, um dos grandes clássicos do cinema. Mesmo que a versão surgida após o famoso memorando de 58 folhas seja apenas uma gambiarra da versão original imaginada por ele.

A história, de uma investigação criminal na fronteira México-EUA, evolui para uma discussão mais profunda sobre justiça, lei, verdade, tortura. E ainda traz um viés meio subversivo, com o mocinho sendo o latino, em oposição ao americanão paladino da justiça que faz de tudo pra botar os bandidos atrás das grades.

Falar da parte técnica de um filmes desses é covardia. Esse homem inventou o que a gente costuma chamar de cinema de Hollywood. Todas as cenas são belíssimas, desde o incrível plano-seqüência da abertura até a cena final com os poços de petróleo, e o rio e a ponte.

E ainda temos os atores: o próprios Welles, assustador como o detetive do mal; Heston todo galazão. E pro meu delírio feminista, as damas, Janet Leigh, no papel de uma mulher ousada e corajosa, e as pequenas, porém marcantes participações de Zsa Zsa Gabor e Marlene Dietrich.

Eu sei que estou babando ovo e que ultrapassei a cota de adjetivos por filme. Mas eu não estou exagerando, esse filme merece tudo isso e muito mais.

 


quinta-feira, 2 de junho de 2011

JUVENTUDE TRANSVIADA (Nicholas Ray, 1955)


Impossível não se apaixonar por James Dean. Não só por que ele era lindo, mas por que ele personifica no imaginário coletivo aquela fase problemática da juventude pela qual (quase) todo mundo passa. E a construção da imagem de Dean como o rebelde sem causa se deve principalmente à esse filme. Toda a insegurança, inadequação, incomunicabilidade dos adolescentes com os adultos e entre eles mesmos estão retratados nesse filme. Pra quem deixou de ser jovem (acontece com a maioria de nós, mais cedo ou mais tarde) pode ser difícil se aproximar do drama dos três protagonistas. Mas pra mim, que vivo nessa batalha do O Velho e o Moço, poucas coisas são mais tocantes e urgentes que o sofrimento dos personagens de Dean, Wood e Mineo.
 


Como todas as coisas que me comovem pessoal e profundamente, não consigo ser objetivo quanto à esse filme. Como diria o Melodia: "Eu entendo a juventude transviada".