O cara nunca é gênio à toa. Contratado inicialmente apenas como ator, (um engano da estrela Charlton Heston o fez assumir a direção) Welles fez, com seu senso cinematográfico único, de uma fita noir ordinária, um dos grandes clássicos do cinema. Mesmo que a versão surgida após o famoso memorando de 58 folhas seja apenas uma gambiarra da versão original imaginada por ele.
A história, de uma investigação criminal na fronteira México-EUA, evolui para uma discussão mais profunda sobre justiça, lei, verdade, tortura. E ainda traz um viés meio subversivo, com o mocinho sendo o latino, em oposição ao americanão paladino da justiça que faz de tudo pra botar os bandidos atrás das grades.
Falar da parte técnica de um filmes desses é covardia. Esse homem inventou o que a gente costuma chamar de cinema de Hollywood. Todas as cenas são belíssimas, desde o incrível plano-seqüência da abertura até a cena final com os poços de petróleo, e o rio e a ponte.
E ainda temos os atores: o próprios Welles, assustador como o detetive do mal; Heston todo galazão. E pro meu delírio feminista, as damas, Janet Leigh, no papel de uma mulher ousada e corajosa, e as pequenas, porém marcantes participações de Zsa Zsa Gabor e Marlene Dietrich.
Eu sei que estou babando ovo e que ultrapassei a cota de adjetivos por filme. Mas eu não estou exagerando, esse filme merece tudo isso e muito mais.
Eu sei que estou babando ovo e que ultrapassei a cota de adjetivos por filme. Mas eu não estou exagerando, esse filme merece tudo isso e muito mais.