segunda-feira, 30 de maio de 2011

SE BEBER, NÃO CASE! 2 (Todd Phillips, 2011)



Essa continuação repete a fórmula de sucesso do anterior mostrando a puta ressaca de uma despedida de solteiro que todo que homem que respeite seus culhões deve ter. Só que dessa vez em Bangcok. E com um macaco do balacobaco. E com a participação especial do Paul Giamatti.

Mais uma vez Todd Phillips mostra que é um dos grandes diretores de comédias da atualidade, inclusive nas piadas mais fortes, envolvendo travestis e consumo de dorgas ilícitas. Zach Galifianakis é o destaque do filme, engraçado mesmo calado, e com o personagem mais cômico.

Mas não posso deixar de protestar contra a maneira preconceituosa e estereotipada com a qual a Tailândia é retratada. No filme o país é um lugar de péssima infra-estrutura, onde sempre falta luz, e a desordem e caos são cenários recorrentes, onde pululam bandidos e prostitutas e travestis. Bem diferente da nação moderna, pujante e cosmopolita que todos conhecemos.

domingo, 29 de maio de 2011

O PIANO (Jane Campion, 1993)



Meu lado feminista me diz que deveria ter gostado mais desse filme. Escrito e dirigido por uma mulher (Jane Campion, cujo roteiro foi devidamente reconhecido pelo Oscar), o filme conta a história dessa mulher muda – semiose pobre para a repressão da sociedade machista-opressora – que atravessa o mundo por um casamento arranjado, e que tem no piano a única forma de expressar sua sensibilidade. Na inóspita e molhada Nova Zelândia ela encontra um marido (um corno-manso interpretado por Sam Neill) que não dá muito bolinho pro trambolho que ela trouxe da Escócia e um sensível aborígene que acaba falando direto no seu coração (Harvey Keitel, num momento sensual seduction)

Mas como todo bom filme feminino, o destaque são as damas, devidamente oscarizadas: Holly Hunter, como a mudinha safadinha que enfeita a cabeça do esposo por que se sente infeliz, e Anna Paquin, com uma interpretação soberba para seus 12 anos na época.

Eu devo estar num momento muito moralista para não ter simpatizado com o drama da personagem da Sagrada Caçadora, por que toda a história da mulher reprimida e tal e encontra no sexo proibido a alegria de viver e amar não me comoveu nem um pouco.
No mais, as imagens da Oceania são belíssimas, principalmente as do piano na praia, e ilustram muito bem o desamparo da protagonista. 

 

NÃO ME ABANDONE JAMAIS (Mark Romanek, 2010)


Este filme conta com as novas queridinhas Keira Magrela Knightley, Carey Se-espremer-ela-chora Mulligan e Andrew Novo-Homem-Aranha Garfield.
Em casos como este eu sempre fico imaginando que ainda melhor que ver o filme é ler o livro. Baseado na história de Kazuo Ishiguro, eu fico pensando em como deve ser bom acompanhar os personagens pelas 344 páginas, ler a descrição do internato de Hailsham, e tudo mais que se passa nos pensamentos de Kathy H.
Contar mais é estragar a experiência desse filme. É um desses casos em que é melhor quanto menos você sabe. Eu venho tentando fugir dos spoilers a meses, desde quando estreou no Brasil. E valeu a pena.
Mas devo deixar registrado o belo trabalho feito pelo diretor Mark Romanek, que criou um universo ao mesmo tempo singular e verossímil, a despeito de sua curta carreira em longa metragem (seu único outro filme é Retratos de uma Obsessão, embora tenha carreira em documentários e video-clip).




quinta-feira, 26 de maio de 2011

PESADELO REFRIGERADO


“ Para conduzir o grande experimento humano, temos primeiro que ter homens. Por trás do conceito HOMEM é preciso haver grandeza. Nenhum partido político é capaz de estabelecer o Reino do Homem. Os trabalhadores do mundo podem um dia, se pararem de dar ouvidos a seus fanáticos líderes, organizar uma irmandade humana. Mas os homens não podem ser irmãos sem primeiro se tornar pares, isto é, iguais em um sentido nobre. O que impede os homens de se unir como irmãos é sua própria e abjeta inadequação. Escravos não podem se unir; covardes não podem se unir; ignorantes não podem se unir. O impulso de se superar tem de ser instintivo, não teórico, nem meramente acreditado. A menos que nos esforcemos para entender as verdades que estão em nós, continuaremos sempre fracassando. Como democratas, republicanos, fascistas, comunistas, estamos todos no mesmo nível. Essa é uma das razões por que fazemos guerra tão lindamente. Defendemos com nossa vida princípios mesquinhos que nos dividem. Nunca levantamos um dedo para defender o princípio comum, que é o estabelecimento do império do homem na Terra. Temos medo de qualquer impulso que nos levante da lama. Lutamos apenas pelo status quo, nosso status quo particular. Batalhamos com a cabeça baixa e os olhos fechados. Na verdade, não existe nunca um status quo, a não ser na cabeça de imbecis políticos. Tudo é fluxo. Os que estão na defensiva são fantasmas lutadores.”

Henry Miller, 1945
Traduzido por José Rubens Siqueira

PIRATAS DO CARIBE: NAVEGANDO EM ÁGUAS MISTERIOSAS (Rob Marshall, 2011)


Seqüência preguiçosa da super bem-sucedida franquia. E um péssimo uso do 3D. Seus predecessores o deixam no chinelo tanto na história como na exuberância visual.

Só salva mesmo o Jack Sparrow de Johnny Depp (que mais duas horas de diversão sempre são bem-vindas) e a beleza da Penélope Cruz. Como destaque ainda temos o carisma do Geoffrey Rush e as participações relâmpago de Keith Richards e da minha adorada-idolatrada-salve-salve Judi Dench.

No mais eu fiquei com a sensação que paguei o dobro do ingresso por uma dimensão extra que quase não usei.


 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

PADRE (Scott Charles Stewart, 2011)


Essa é a versão de Scott Charles Stewart, especialista em efeitos visuais, da Grafic Novel de Min-Woo Hyung. E eu fiquei pensando: “Futuro pós-apocalíptico onde padres matam vampiros... É uma cilada Bino!” Fui conferir apenas em consideração ao Paul Bettany (que depois do albino que usa um cilício tem muitos pontos comigo). Mas como diria o Zagallo: “Aí sim, fomos surpreendidos novamente!” e gostei bastante do filme.

O roteiro é ágil e enxuto, assim como o ritmo da trama, os atores não comprometem, pelo contrário, seguram a história (tem até o Christopher Plummer) e a identidade visual (imagino que bem fiel aos quadrinhos) é o destaque do filme, com uma mistura de Mad Max e Velho Oeste, e uma pitada de V de Vingança. As cenas de ação são igualmente bem realizadas, mesmo que insistam nesse mal de nossa época que é a evocação ad aeternum do estilo Matrix.

Pra quem esperava se decepcionar, esse filme foi uma grata surpresa.
 

domingo, 15 de maio de 2011

INTRIGA INTERNACIONAL (Alfred Hitchcock, 1959)


Quando o cara é gênio não é preciso muito tempo para isso se fazer notar. Já na abertura esse filme mostra para o que veio. Deixa muito 3D comendo poeira. O velho Alfred era mestre na imagem cinematográfica, e esse filme é a prova. As cenas ambientadas na ONU, na Grand Central e no Monte Rushmore são de tirar o fôlego. Isso sem falar da seqüência de perseguição com um avião agrícola. De encher os olhos.

Destaque também para o roteiro amarradinho do grande Ernest Lehman, que escreveu, entre outras, pérolas do quilate de Amor, Sublime Amor e A Noviça Rebelde.

Ah, resposta da trívia Hitchcockiana: ele aparece logo no início, tentando e não conseguindo subir no ônibus.
 

sábado, 14 de maio de 2011

OS AGENTES DO DESTINO (George Nolfi, 2011)


A estreia na direção do roteirista de filmes como O Ultimato Bourne, Sentinela e Doze Homens E Outro Segredo é um filme bem mais simples do que sugere o trailer, uma vez que logo no início é revelada a natureza dos tais agentes. Sem o mistério, o que sobra são algumas cenas de perseguição embaladas pela trilha sonora de Thomas Newman, o responsável por pérolas como as de Wall-E, Estrada Para Perdição e Beleza Americana, além de muitas mais. Os cenários e figurinos do tal Bureau também chamam atenção, com aquele climão anos 50. 
Tenho que confessar que ver o Matt Damon em um filme onde ele tenta ir de encontro a um “Plano Maior” me lembrou o meu filme favoritíssimo da vida toda: Dogma. Emily Blunt está linda mais magra e com aquele sotaque britânico. E o filme ainda tem o Terence Stamp, de quem sou fã desde aquela cena em que ele quebra a unha em Priscilla, a Rainha do Deserto.
Eu queria poder comentar mais, mas daí já seria spoiler.


 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

BONNIE & CLYDE - UMA RAJADA DE BALAS (Arthur Penn, 1967)


Eu nunca entendi direito o prestígio de Faye Dunaway e Warren Beatty em Hollywood. Até ver esse filme. Eles estão muito lindos (e usam boinas!) e têm uma química perfeita.

Certamente o filme glamouriza o crime, inclusive com fugas ao som de banjos. Mas eles são tão charmosos que é impossível não torcer por eles. Bonnie e Clyde estão para os americanos assim como o cangaço está para o Brasil ou Robin Hood para os ingleses. Embora criminosos, são os mocinhos. Até porque eles roubavam os bancos durante a Grande Depressão, e isso lhes atribuía grande carisma. Outro ponto interessante de notar nesse filme é como o automóvel e as armas de fogo são objetos centrais dentro da cultura americana.

Por fim, destaco os coadjuvantes: Gene Hackman, de quem sou sempre um grande fã; e Gene Wilder, o eterno Willy Wonka, na sua primeira e bastante engraçada aparição no cinema.

 
 

THOR (Kenneth Branagh, 2011)


O primeiro filme em 3D que vejo que não é uma animação. Assim como os olhos demoram a se acostumar com os óculos, no início a cafonalha do reino de Asgard incomoda um pouco. Mas depois fica bastante divertido. Principalmente na parte passada na Terra. O fato é que se trata de um filme que apenas prepara o terreno para arrasa-quarteirão que deve ser Os Vingadores (inclusive com as presenças ilustres de Nick Fury e do Gavião Arqueiro).

Agora, o elenco é uma verdadeira extravagância para um filme de herói. Natalie Portman, Anthony Hopkins e Stellan Skarsgård. Tem até a Rene Russo! Prato cheio pra quem curte grandes atores em produções despretenciosas.



terça-feira, 10 de maio de 2011

INÍCIOS INESQUECÍVEIS – “As Virgens Suicidas”


              “Na manhã em que a última filha dos Lisbon decidiu-se também pelo suicídio – foi Mary dessa vez, e soníferos, como Thereza -, os dois paramédicos chegaram à casa sabendo exatamente onde ficavam a gaveta das facas, o forno, e a viga no porão à qual era possível atar uma corda. Saíram da ambulância, como sempre andando mais devagar do que gostaríamos, e o gordo disse entre dentes: “Isso não é a TV, gente, mais rápido não dá.” Carregava o pesado equipamento cardíaco e o respirador, passando pelos arbustos que haviam crescido de forma monstruosa, pisando o gramado transbordante que fora liso e imaculado treze meses antes, quando os problemas começaram.”


Jeffrey Eugenides, 1993
Traduzido por Marina Colasanti



segunda-feira, 9 de maio de 2011

ALMAS EM SUPLÍCIO (Michael Curtiz, 1945)


Infeliz título em português para o Mildred Pierce original. Exemplar irretocável da época de ouro de Hollywood. Como todo mundo era charmoso com aqueles cigarros!

Interessante notar como já em 45 os EUA foram capazes de levar às telas uma história tão pra-frentex dessa mulher independente e sexualmente liberada. Joan Crawford é própria feição de uma Diva do cinema, lindíssima e talentosa, nesse papel que lhe rendeu o Oscar. Eve Arden não fica atrás em matéria de glamour.

Diferentemente da refilmagem atual da HBO, no filme, os papéis masculinos são mais relevantes, como o Wally Fay de Jack Carson e o Bert Pierce feito por Bruce Bennett, ambos charmosíssimos dentro de impecáveis ternos.

O clima noir do filme é bem legal, graças a uma bela fotografia em preto-e-branco e jogos de luz e sombra.

A história do crime acaba que toma um pouco do espaço da protagonista, mas não é nada que ofusque o brilho da trajetória dessa mulher.

 

domingo, 8 de maio de 2011

MILDRED PIERCE (Todd Haynes, 2011)


Essa minissérie é um desses produtos de entretenimento que me enchem de satisfação. E a satisfação vem de ver um produto do bem. Bem feito, bem escrito, bem dirigido, bem atuado, bem fotografado, bem montado, bem dirigido artisticamente.

Todd Haynes (a quem sou grato toda vida pela jóia que é Far from Heaven) re-filma a história de James Cain que em 1946 deu o Oscar de Melhor Atriz para Joan Crawford. E esse é outro ponto que, enquanto feminista, muito me agrada: ser a história de uma mulher. Uma mulher que toda as rédeas da própria vida, mandando o marido adúltero para fora de casa e enfrentando os desafios de criar as filhas durante a grande depressão americana.

Daí vamos para as atrizes, que são o destaque da série. Dizer que Kate Winslet não está menos que fantástica é chover no molhado. Ela dá a personagem tantas nuances e camadas que dá gosto de acompanhar a trajetória dela pelos cinco episódios. Morgan Turner e Evan Rachel Wood fazem um trabalho incrível como a odienta filha da protagonista. Melissa Leo e Mare Winningham abrilhantam o elenco com suas coadjuvantes. Como é uma obra sobre mulheres, nenhum homem tem papel de destaque.

Por fim, a fotografia e a direção de arte merecem ser comentadas, pela belíssima recriação da ensolarada Los Angeles dos anos 30. É tudo muito bonito, e a câmera vai transitando por esses lugares, revelando os dramas dessa mulher incomum.

É duro descrever como essa série da HBO é boa, e linda e maravilhosa. 
 

terça-feira, 3 de maio de 2011

ACONTECEU NAQUELA NOITE (Frank Capra, 1934)


Comédia romântica da década de 30. Mas muito melhor que muitas feitas atualmente. Primeiro filme a levar os cinco principais Oscar (Filme, Direção, Roteiro, Atriz e Ator).

É a história da herdeira mimada interpretada por Claudette Colbert que foge do pai e acaba encontrando pelo caminho o jornalista espertão feito pelo Clark Gable. Claro que eles vão começar o filme brigando. Claro que vão passar por altas aventuras. Claro que vão acabar se apaixonando. Claro que ele vai demorar a dar o braço a torcer. Claro que somente vão ficar juntos no final. Mas é tudo contado de maneira tão redondinha que encanta. Gable é uma figuraça tentando jogar charme e se fazer de bonzão para a moça, apesar de ser meio desajeitado. A cena da carona é impagável, assim como a deliciosa citação das muralhas de jericó, principalmente na cena que fecha o filme.

domingo, 1 de maio de 2011

O MENSAGEIRO DO DIABO (Charles Laughton, 1955)

Este é um filme visualmente muito interessante. Curioso saber que seu diretor, Charles Laughton, não tenha dirigido nenhum outro filme, nem antes nem depois. A fotografia em preto e branco é belíssima e trilha sonora é linda, especialmente as canções religiosas cantadas pelos personagens. Esses elementos entregam cenas memoráveis, como a em que as crianças descem o rio à noite, ou a que, no ápice da tensão, Lillian Gish e Robert Mitchum cantam “Learning on the Everlasting Arms”.

Gish e Mitchum, aliás, são o destaque o filme. Muito mais Mitchum. O falso pastor, mau e inescrupuloso pior que o Pica Pau, mas ao mesmo tempo envolvente e sedutor é um tremendo vilão, que não mede a mão na busca dos 10 mil dólares que seu ex-companheiro de cadeia escondeu na boneca de sua filhinha. Nessa busca, usa seu disfarce habitual de religioso para enredar a família, no entanto o filho mais velho, Billy Chapin (em boa atuação, se considerados o fato de ser um difícil papel e que ele tinha doze anos à época) fica com o pé atrás e resiste até o fim para proteger a irmãzinha (a sem-sal Sally Jane Bruce, de sete) e o tesouro do pai. Gish aparece só na segunda metade do filme, para proteger os pequenos órfãos contra o malvado.

O destaque final fica para as tatuagens de amor e ódio nas falanges de Mitchum e a inspirada explicação que ele faz para elas.