domingo, 1 de maio de 2011

O MENSAGEIRO DO DIABO (Charles Laughton, 1955)

Este é um filme visualmente muito interessante. Curioso saber que seu diretor, Charles Laughton, não tenha dirigido nenhum outro filme, nem antes nem depois. A fotografia em preto e branco é belíssima e trilha sonora é linda, especialmente as canções religiosas cantadas pelos personagens. Esses elementos entregam cenas memoráveis, como a em que as crianças descem o rio à noite, ou a que, no ápice da tensão, Lillian Gish e Robert Mitchum cantam “Learning on the Everlasting Arms”.

Gish e Mitchum, aliás, são o destaque o filme. Muito mais Mitchum. O falso pastor, mau e inescrupuloso pior que o Pica Pau, mas ao mesmo tempo envolvente e sedutor é um tremendo vilão, que não mede a mão na busca dos 10 mil dólares que seu ex-companheiro de cadeia escondeu na boneca de sua filhinha. Nessa busca, usa seu disfarce habitual de religioso para enredar a família, no entanto o filho mais velho, Billy Chapin (em boa atuação, se considerados o fato de ser um difícil papel e que ele tinha doze anos à época) fica com o pé atrás e resiste até o fim para proteger a irmãzinha (a sem-sal Sally Jane Bruce, de sete) e o tesouro do pai. Gish aparece só na segunda metade do filme, para proteger os pequenos órfãos contra o malvado.

O destaque final fica para as tatuagens de amor e ódio nas falanges de Mitchum e a inspirada explicação que ele faz para elas.