Essa minissérie é um desses produtos de entretenimento que me enchem de satisfação. E a satisfação vem de ver um produto do bem. Bem feito, bem escrito, bem dirigido, bem atuado, bem fotografado, bem montado, bem dirigido artisticamente.
Todd Haynes (a quem sou grato toda vida pela jóia que é Far from Heaven) re-filma a história de James Cain que em 1946 deu o Oscar de Melhor Atriz para Joan Crawford. E esse é outro ponto que, enquanto feminista, muito me agrada: ser a história de uma mulher. Uma mulher que toda as rédeas da própria vida, mandando o marido adúltero para fora de casa e enfrentando os desafios de criar as filhas durante a grande depressão americana.
Daí vamos para as atrizes, que são o destaque da série. Dizer que Kate Winslet não está menos que fantástica é chover no molhado. Ela dá a personagem tantas nuances e camadas que dá gosto de acompanhar a trajetória dela pelos cinco episódios. Morgan Turner e Evan Rachel Wood fazem um trabalho incrível como a odienta filha da protagonista. Melissa Leo e Mare Winningham abrilhantam o elenco com suas coadjuvantes. Como é uma obra sobre mulheres, nenhum homem tem papel de destaque.
Por fim, a fotografia e a direção de arte merecem ser comentadas, pela belíssima recriação da ensolarada Los Angeles dos anos 30. É tudo muito bonito, e a câmera vai transitando por esses lugares, revelando os dramas dessa mulher incomum.
É duro descrever como essa série da HBO é boa, e linda e maravilhosa.