domingo, 17 de julho de 2011

LIXO EXTRAORDINÁRIO (Lucy Walker, 2009)


O artista plástico brasileiro Vik Muniz sempre chamou atenção por tirar alguns materiais de seu uso comum e adotá-los como matéria-prima de suas obras de arte. A ideia de ir ainda mais fundo nesse conceito e utilizar o material descartado como lixo é a premissa desse filme. Desde o início, Vik deseja trabalhar não apenas com o material disponível no aterro sanitário do Jardim Gramacho (outrora conhecido como maior lixão do mundo), mas também com os trabalhadores que convivem diuturnamente com aquilo que a sociedade carioca considera como passível de descarte.

E é na histórias das pessoas que Vik encontra em Gramacho que reside o apelo desse filme, que foi indicado ao Oscar e levou o Troféu do Juri Popular no FICA. Confesso que achei um pouco piegas a forma como o drama dos catadores é mostrada, mas aquela situação degradante é a realidade em que eles vivem. Mas o filme é corajoso em mostrar o dilema do artista, já que os trabalhadores de Gramacho que experimentaram outra vida ao servirem de modelos e ajudar na confecção das obras, fatalmente voltariam para a faina de revirar o lixo a procura do sustento.

Mas como eu sou alienado, me encantei principalmente quando mostram o processo criativo e a feitura das obras, que sempre me impressionam.