quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A ALMA IMORAL


"Levando em conta que o ser humano é a tensão entre a preservação e a transgressão, entre o corpo e a alma, duas formas profundas de desvios podem ocorrer: o apego e a traição. O apego fere a alma da mesma forma que a traição fere o corpo. Ambas as exacerbações ou desequilíbrios geram violências. A violência à alma é contra a própria vida e responde pela depressão; ao corpo, por sua vez, se expressa contra o mundo externo, nó ódio e na vingança.

O apego ameaça e violenta a integridade de um ser humano da mesma maneira que uma traição. Somos capazes de medir a última, mas poucas vezes nos damos conta da violência que impomos à nossa alma. É, porém, entre esses dois estados de desequilíbrio que residem nossas grandes dificuldades a vida. E o mais fantástico é que eles estão sempre juntos.

Não existe experiência de traição que não venha acompanhada de apego. Na verdade, é nessa dinâmica que devemos manter nossa atenção. Quando um indivíduo ou mesmo indivíduos que mantêm relações afetivas fazem movimentos transgressivos movidos pela alma, são imediatamente confrontados com movimentos de apego pelo corpo.”

Nilton Bonder, 1998