sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O LIVRO DOS SONHOS


“Estou na cabana de Thoreau no Lago Walden em Concord. É noite e mal posso enxergar enquanto tento examinar algumas de suas relíquias pessoais que ainda estão lá, inclusive uma caixinha de cigarros velhos feita de papelão macio, fácil de rasgar, feito embalagem de ovos – uma garota por dentro das coisas, de carro conversível novo, pára na frente da cabana e começa a acionar o freio de emergência com os faróis iluminando a parede de Thoreau, enquanto eu grito: “Deixa a luz acesa, eu tenho que ver isso aqui”, porque saco logo, embora não possa ver, que é acessível e legal. Enquanto espia por cima do meu ombro, abro a caixa, que contém uma quantidade mínima, do tamanho de um dedal, de sementes de maconha – um fuminho de maconha em pó, pelo menos é o que parece, e penso: “Thoreau vivia Alto” (o que sem dúvida é VERDADE) -  e explico para a garota o que é – Ela dia: “ Este negócio aí é difícil de conseguir” – “Agora não é, não”, afirmo com a autoridade de autêntico iniciado, “você pode arrumar em qualquer ponto da rua (com qualquer prostituta que conheça as bocas)” fico com vontade de acrescentar, e no meu espírito a rua é uma grande Tragada em Chicago, cintilando longe de Concord & Lowell – A garota , que é bonitinha, fica impressionada comigo – tira um pedaço da caixa para guardar de lembrança, fazendo bolinha com o papelão –

(Sonhado no Hotel dos Maltrapilhos em Lowell, os “Aposentos da Estação Ferroviária”)”

Jack Kerouac, 1961
Traduzido por Milton Persson