segunda-feira, 18 de abril de 2011

LAWRENCE DA ARÁBIA (David Lean, 1962)


Este é um filme que impressiona. Impressiona com a belíssima fotografia do deserto que, junto com uma trilha monumental, entregam um resultado espetacular, particularmente nas cenas da tempestade de areia. Obra de Freddie Young e Maurice Jarre, respectivamente, que foram devidamente reconhecidos pelo Oscar.

Mesmo reconhecimento não teve Peter O'Toole, que na minha modesta opinião está melhor que Gregory Peck de “O Sol É Para Todos”. Nem Omar Sharif, ou Anthony Quinn, que sequer foi indicado como o líder dos beduínos mercenários.

Mas o que realmente me impressionou foi o fato de se tratar de uma história verídica. T.E. Lawrence realmente existiu e sua participação na Revolta Árabe de 1916-18 foi imprescindível para a campanha contra os turcos, inclusive tomando Damasco. Como mostrado no filme, Lawrence da Arábia – apelido famoso que foi cunhado por Lowell Thomas – era um grande erudito e profundo admirador da cultura árabe, o que o levou a lutar pela união e libertação desse povo, ficando posteriormente bastante desiludido quando da divisão do Império Otomano pela França e o Reino Unido. Inclusive recusou se tornar Comandante Cavaleiro do Império Britânico. Outro ponto de destaque é a modificação sofrida por ele após a tortura física e sexual (esta apenas sugerida no filme) a qual foi submetido quando capturado em Deraa. Enfim, uma figura de todas as formas singular, daquelas que se não existisse, não seria possível ter sido inventada.

De fato, grandes histórias e personagens não são frutos exclusivos da criatividade de roteiristas e escritores, mas também estão por aí esperando para serem vividas e contadas. Se puderem contar com o suporte de um grande filme, melhor ainda.