“Declare-se urgência e transfiram-se todos pra cá
Vai começar belo o mais belo espetáculo que há”
Vai começar belo o mais belo espetáculo que há”
Nossos Embrulhos
No dia de São Expedito último, a banda Violins lançou seu mais novo cd. Depois desaparecer, ressurgir das cinzas, lançar o apocalíptico-solar Greve das Navalhas, e de comemorar os dez anos da banda, Beto e sua turma entregam mais um disco bastante aguardado pelos fãs.
O disco começa com “É como está”, que logo no início lembra as icônicas “O Anti-Herói (parte 1”) e “Vendedor de Rins”.
“você não imagina do que eu sou capaz
pra retirar essa preocupação de mim
eu vou a pé e olha que eu moro em Goiás
eu minto bem, eu roubo banco, eu vendo rim”
Como todo disco da banda, Direito de Ser Nada gira sobre um único tema. E o tema dessa vez me é muito caro – justamente esse direito de ser nada, esse apaziguamento com nossas próprias ambições. Existe uma liberdade muito grande em se tornar totalmente responsável pelas próprias escolhas e as conseqüências boas e ruins que vêm delas.
Esse sentimento fica bastante claro em músicas como “O Grande Esforço”:
“eu caminhei livre com os pés firmes no breu
só pra espalhar cinzas do que fui e do que morreu
vou participar sempre da melhor parte de ser eu
é o grande esforço mas o alívio que te espera
não tem preço
não depende de ninguém
mas você mesmo
dá pra se arrisca”
só pra espalhar cinzas do que fui e do que morreu
vou participar sempre da melhor parte de ser eu
é o grande esforço mas o alívio que te espera
não tem preço
não depende de ninguém
mas você mesmo
dá pra se arrisca”
Outra música onde fica expresso claramente tal pensamento é “Nenhum Caminho”, uma de minhas favoritas do disco e uma canção surpreendentemente pop. Faço coro com o Beto – aliás, o melhor compositor em atividade atualmente no Brasil – sobre o alívio de não buscar a Verdade, o prazer de admirar a paisagem numa viagem (vida) sem destino (sentido).
não nos interessa a busca da verdade
não encontramos nenhuma
nosso alívio vem daí
só agora descansamos
aceitamos o que somos
e isso é tudo
temos o momento e nenhum caminho pra seguir
e isso é tudo
sem nenhum tormento e nenhum martírio pra sentir
de nenhum caminho pra seguir
O destaque máximo fica para “Nossos Embrulhos” com o início fantástico, com o qual eu abri esse post. O disco fecha com a romântica “Nani” e “Perdoar é a Maior das Injustiças”. O fato é que eu, como grande fã dos caras, gostei de todas as músicas. Ainda tem a misteriosa “Rumo de Tudo” e as tocadas desde ano passado “Forasteiros” e “Medo de Dar Certo”. Todas ótimas.
guarde seu coração tranquilo
sabe-se lá quem vai ver isso
deve não ser um sacrifício
assim deve ser o fim de um ciclo
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