domingo, 2 de outubro de 2011

AS HIPER MULHERES (Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro, 2011)


O título remete à tradução dada ao Jamurikumalu, ritual Kuikuro que celebra um mito de independência e empoderamento feminino. Mas é bom ressaltar que nenhuma mulher retratada no filme carrega esse adjetivo. E é no aspecto prosaico de suas vidas que as protagonistas garantem tanta simpatia. Como diria Rita Lee, toda mulher – mesmo as índias – são meio Leila Diniz.

Chama a atenção como as mulheres Kuikuro são, aparentemente, mais liberadas sexualmente que os homens, pelo menos em frente às câmeras. Câmeras, aliás, que revelam um aspecto mais próximo do cotidiano, já que o registro foi feito dentro do projeto Vídeo nas Aldeias, isso fez o filme fugir do esteriótipo de “documentário de índio” e apresentar a história com muita naturalidade. O filme, ganhador de dois prêmios no Festival de Gramado, ainda conta com a beleza espontânea das paisagens do Xingu e dos cânticos e coreografias apresentadas. 
 
Gostei demasiado do filme pelo tema, personagens e local. E me lembrou muito o outro grande documentário que vi esse ano, Terra deu Terra come. Eu fico encantado em como em ambos os casos, na tradição indígena e quilombola, a imaginação e a invenção são peças importantes e integrantes da perpetuação e transmissão dos costumes e da história.