O
título remete à tradução dada ao Jamurikumalu, ritual Kuikuro que
celebra um mito de independência e empoderamento feminino. Mas é
bom ressaltar que nenhuma mulher retratada no filme carrega esse
adjetivo. E é no aspecto prosaico de suas vidas que as
protagonistas garantem tanta simpatia. Como diria Rita Lee, toda
mulher – mesmo as índias – são meio Leila Diniz.
Chama
a atenção como as mulheres Kuikuro são, aparentemente, mais
liberadas sexualmente que os homens, pelo menos em frente às
câmeras. Câmeras, aliás, que revelam um aspecto mais próximo do
cotidiano, já que o registro foi feito dentro do projeto Vídeo
nas Aldeias, isso fez o filme
fugir do esteriótipo de “documentário de índio” e apresentar a
história com muita naturalidade. O
filme, ganhador de dois prêmios no Festival de Gramado, ainda conta
com a beleza espontânea das paisagens do Xingu e dos cânticos e
coreografias apresentadas.
Gostei
demasiado do filme pelo tema, personagens e local. E me lembrou muito
o outro grande documentário que vi esse ano, Terra deu
Terra come. Eu fico encantado em
como em ambos os casos, na tradição indígena e quilombola, a
imaginação e a invenção são peças importantes e integrantes da
perpetuação e transmissão dos costumes e da história.